“Primeiro ele pede para agachar, depois brincamos de abrir os bracinhos e as perninhas, daí minha bunda espirra sangue e o tio pede para eu usar papel higiênico.”
Foi assim que Carlinhos contava para sua mãe, horrorizada com a história, o que ele e seus coleguinhas andavam fazendo com o “tio”.
Tudo indicava que Alfredão mais conhecido como tio pelas crianças, estava arrombando a bunda da criançada da quarta série.
Dona Clotilde correu rapidamente para delegacia, ela que minutos antes, tinha planejado mais um golpe com cheques sem fundos numa loja qualquer, mudou de planos.
Na delegacia enquanto Dona Clotilde contava as peripécias de Alfredão ao Doutor Carlos, este já alerta, ligava para sua mulher Dona Siméria, perguntando o nome da escola do filho de quatro anos.
Dona Siméria atendeu a contragosto a ligação do marido, pois naquele instante ela e Barretão, seu amante, estavam transando por todos os cantos da casa.
Barretão mais tarde contaria a história no bar, a história de Alfredo não a sua, na verdade ele contava a história porque estava devendo uma grana para o Seu Valdir que entretido com a notícia, colocava doses gratuitas para Barretão.
Marli, mulher de Barretão, estava preocupada com seu marido, pois já se passavam das onze da noite e sempre que Barretão chegava após as onze era surra na certa.
Passado um tempo.
Marli separou-se de Barretão que morreu no Bar do seu Valdir, após este, bêbado e indignado com as histórias de barretão, estourou-lhe os miolos com um taco de sinuca.
Dona Siméria com a morte de Barretão começou a tomar compulsivamente antidepressivos, seu marido, Doutor Carlos não agüentando as discussões ad infinitum e a tristeza profunda da mulher, largou-a, agravando o quadro clínico de Dona Siméria.
Dona Clotilde responde a cinco processos por suas malandragens nos comércios de madames, sua vida decaiu muito, tornou-se usuária de cocaína e álcool, perdendo a guarda de Carlinhos.
Carlinhos que já não tinha pai, foi mandado para um orfanato, passou a adolescência inteira brincando de bunda que espirra sangue. Sua bunda já não espirrava sangue e começou a sofrer preconceitos, sendo chamado de pederasta, pervertido, viado, bicha tresloucada. Caiu em depressão e se enforcou ano passado.
Alfredão foi demitido da escola, mas como nada foi provado, não sofreu punição alguma, logo depois arranjou um emprego numa escola católica e lá está desde então.
Alfredão agora participa em conjunto das brincadeiras com as crianças. Padres e Alfredão brincam manhãs inteiras de bundas que espirram sangue sem serem incomodados.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A cobradora
Todos os ônibus são iguais.
Cheiro de náusea, cadeiras duras de plástico, janelas que não entram ar, motorista nervoso e, obviamente, pessoas cheirando trabalho.
A única diferença notada por mim quando peguei aquele ônibus, foi a cobradora.
Na faixa dos cinquenta anos, seu cabelo lembrava suspiro, nos pés, sapatilhas velhas, uma calça marrom assexuada dava formato naquele corpo esculpido com gordura, fruto de anos e mais anos sentada naquela poltrona. Toda vez que a cobradora sentava você podia notar seu umbigo chegando quase perto dos joelhos.
A mulher era um verdadeiro canhão, mas completamente educada. Tratava-nos sempre com gentilezas, nunca desdenhava ninguém. Mesmo velhos entrando trôpegos dentro do ônibus de tanta cachaça, perfumando o ônibus inteiro, ela tratava bem.
Quando observei seus olhos, notei olheiras profundas, um olhar vazio sem vida. Suas mãos carregavam o tempo, cada ruga um ano igual, cada marca no corpo da cobradora era uma vida inteira indo pra lugar nenhum.
Com o passar dos dias nos tornamos amigos. Ela falava sobre o fim da novela, opinava sobre o tempo, reclamava do aumento da violência, filosofava sobre como a juventude estava perdida, criava teses sobre o consumo de drogas. Incrível como todos nós temos uma opinião sobre tudo.
Numa cidade deste tamanho, bebês são jogados no lixo o tempo todo, pessoas se matam, travestis são usados como tiro ao alvo na madrugada por tarados de todo tipo, um novo viciado surge a cada segundo, na delegacia você consegue notar uma longa fila de mulheres espancadas por uma corja de canalhas. Cada vez mais, todos nós estamos tornando o mundo um pouco pior.
Depois que descobrimos a rotina e o tédio, pensar sobre a imortalidade é tão idiota quanto pensar que o holocausto nunca existiu.
Então num dia qualquer, eu e a cobradora conversávamos as mesmas coisas, repentinamente ela aponta o dedo para um prédio e diz: “Ta vendo aquele prédio ali? Vinte anos atrás meu marido pulou daquela janela.”. Logo após ela começou a me contar os detalhes daquela pequena tragédia. Vinte anos atrás ela tinha apenas 18 anos, estava muito animada, seu recém marido estava com um emprego estável, tudo caminhava para uma vida feliz. Ela estava começando o magistério, mas como o médico dizendo que você tem câncer, a vida ceifou todos seus sonhos. Seu marido estava com depressão havia meses, não suportou e quis voar do oitavo andar.
Depois do ocorrido, ela desesperada, prestou o primeiro concurso público que apareceu, virou cobradora.
Neste exato momento eu consigo notar atrás da cobradora, a cortina cinza sendo segurada por uma corda verde, consigo imaginar todas as luzes internas do ônibus apagadas, apenas uma luz acesa, uma luz em cima da cobradora, iluminando seu horror sendo contado para o mundo inteiro. Paro de sonhar. Aperto o botão.
Parada solicitada, as portas abrem, digo adeus para cobradora, o ônibus segue seu destino e eu sigo o meu.
Durante trinta anos, a cobradora anda oito horas por dia, naquela grande banheira de aço. Todos os dias ela vê o prédio, ela vê as janelas, ela lembra nos mínimos detalhes o que aconteceu, depois vai para casa e dorme tentando esquecer tudo, acreditando ter feito o seu trabalho.
Cheiro de náusea, cadeiras duras de plástico, janelas que não entram ar, motorista nervoso e, obviamente, pessoas cheirando trabalho.
A única diferença notada por mim quando peguei aquele ônibus, foi a cobradora.
Na faixa dos cinquenta anos, seu cabelo lembrava suspiro, nos pés, sapatilhas velhas, uma calça marrom assexuada dava formato naquele corpo esculpido com gordura, fruto de anos e mais anos sentada naquela poltrona. Toda vez que a cobradora sentava você podia notar seu umbigo chegando quase perto dos joelhos.
A mulher era um verdadeiro canhão, mas completamente educada. Tratava-nos sempre com gentilezas, nunca desdenhava ninguém. Mesmo velhos entrando trôpegos dentro do ônibus de tanta cachaça, perfumando o ônibus inteiro, ela tratava bem.
Quando observei seus olhos, notei olheiras profundas, um olhar vazio sem vida. Suas mãos carregavam o tempo, cada ruga um ano igual, cada marca no corpo da cobradora era uma vida inteira indo pra lugar nenhum.
Com o passar dos dias nos tornamos amigos. Ela falava sobre o fim da novela, opinava sobre o tempo, reclamava do aumento da violência, filosofava sobre como a juventude estava perdida, criava teses sobre o consumo de drogas. Incrível como todos nós temos uma opinião sobre tudo.
Numa cidade deste tamanho, bebês são jogados no lixo o tempo todo, pessoas se matam, travestis são usados como tiro ao alvo na madrugada por tarados de todo tipo, um novo viciado surge a cada segundo, na delegacia você consegue notar uma longa fila de mulheres espancadas por uma corja de canalhas. Cada vez mais, todos nós estamos tornando o mundo um pouco pior.
Depois que descobrimos a rotina e o tédio, pensar sobre a imortalidade é tão idiota quanto pensar que o holocausto nunca existiu.
Então num dia qualquer, eu e a cobradora conversávamos as mesmas coisas, repentinamente ela aponta o dedo para um prédio e diz: “Ta vendo aquele prédio ali? Vinte anos atrás meu marido pulou daquela janela.”. Logo após ela começou a me contar os detalhes daquela pequena tragédia. Vinte anos atrás ela tinha apenas 18 anos, estava muito animada, seu recém marido estava com um emprego estável, tudo caminhava para uma vida feliz. Ela estava começando o magistério, mas como o médico dizendo que você tem câncer, a vida ceifou todos seus sonhos. Seu marido estava com depressão havia meses, não suportou e quis voar do oitavo andar.
Depois do ocorrido, ela desesperada, prestou o primeiro concurso público que apareceu, virou cobradora.
Neste exato momento eu consigo notar atrás da cobradora, a cortina cinza sendo segurada por uma corda verde, consigo imaginar todas as luzes internas do ônibus apagadas, apenas uma luz acesa, uma luz em cima da cobradora, iluminando seu horror sendo contado para o mundo inteiro. Paro de sonhar. Aperto o botão.
Parada solicitada, as portas abrem, digo adeus para cobradora, o ônibus segue seu destino e eu sigo o meu.
Durante trinta anos, a cobradora anda oito horas por dia, naquela grande banheira de aço. Todos os dias ela vê o prédio, ela vê as janelas, ela lembra nos mínimos detalhes o que aconteceu, depois vai para casa e dorme tentando esquecer tudo, acreditando ter feito o seu trabalho.
domingo, 25 de outubro de 2009
Isso é sobre e pra ela
Eu sinto meus órgãos pulsarem uma não atração
Minha mente fugiu
E meu corpo é apenas o resto da minha vida
Que ligada foi esquecida
Sinto ausência de vida na minha mente.
O conforto de uma morte rápida devastadora
Oh isso para mim e para Nietsche é consolo
Nietzsche morreu, te garanto que ele têm
Definitivamente mais experiência que eu
Qual a importância do que escrevo?
Se a olhos nenhum vão pertencer
E você?, Você não conta!
Você sou eu num pedaço diferente
Te garanto que tem mais de mim em ti
Por que aqui tudo é teu também.
Anos passaram, como você era bonita, como você era fantástica, leio esse trecho hoje com os olhos vertendo lágrimas. Você foi tão canalha comigo, por quê?
Um ano atrás uma amiga te chamou de ordinária, corroborei a opinião. Você foi tão canalha, te odiei tanto. Você insistiu em mim, mas quando fui para cima você recuou e nos emudecemos mais uma vez.
Você vai e volta. Eu apenas sigo em frente.
Te xinguei tanto, talvez a garota que mais xinguei por dentro (porque até agora é a que mais quis). Teu olhar de assustada é fantástico, faz meus olhos brilharem. Pensar em você descongela meus olhos, espanca o coração. Talvez (queria isso) um dia nos encontraremos mais uma vez, e dessa vez, indiferente do lugar você me roubasse um beijo e dissesse: “Você foi tão devagar”.
Minha mente fugiu
E meu corpo é apenas o resto da minha vida
Que ligada foi esquecida
Sinto ausência de vida na minha mente.
O conforto de uma morte rápida devastadora
Oh isso para mim e para Nietsche é consolo
Nietzsche morreu, te garanto que ele têm
Definitivamente mais experiência que eu
Qual a importância do que escrevo?
Se a olhos nenhum vão pertencer
E você?, Você não conta!
Você sou eu num pedaço diferente
Te garanto que tem mais de mim em ti
Por que aqui tudo é teu também.
Anos passaram, como você era bonita, como você era fantástica, leio esse trecho hoje com os olhos vertendo lágrimas. Você foi tão canalha comigo, por quê?
Um ano atrás uma amiga te chamou de ordinária, corroborei a opinião. Você foi tão canalha, te odiei tanto. Você insistiu em mim, mas quando fui para cima você recuou e nos emudecemos mais uma vez.
Você vai e volta. Eu apenas sigo em frente.
Te xinguei tanto, talvez a garota que mais xinguei por dentro (porque até agora é a que mais quis). Teu olhar de assustada é fantástico, faz meus olhos brilharem. Pensar em você descongela meus olhos, espanca o coração. Talvez (queria isso) um dia nos encontraremos mais uma vez, e dessa vez, indiferente do lugar você me roubasse um beijo e dissesse: “Você foi tão devagar”.
Mulher maracujá
Muito antes das tais “mulheres-frutas”, leia-se mulher-melancia, mulher-melão, mulher-moranguinho, estarem em voga, deparei-me em um boteco sujo com a mulher-maracujá. Resumindo, era uma velha feia de cabelos loiros e surrados, pele bastante enrugada, daquelas que os bebuns deparam-se e dizem: “essa é feia, heim..essa sempre foi feia”. Aliás, a alcunha havia sido sugerida por um bêbado, que um dia apontou para seu rosto e disse: “você tem cara de maracujá atropelado, nem com conhaque vagabundo você desce”. Mas a tal mulher maracujá parecia ser uma pessoa introspectiva, não se importando com tais dizeres, pois estava tão calejada pela vida que havia se tornado imune a qualquer comentário depreciativo. Bastava para ela alguns copos de conhaque presidente e, de vez em quando, a pica de algum bêbado que tomasse coragem de comê-la ou, ainda, receber da velha uma chupeta em alguma rua escura nas proximidades. Waltinho, um deficiente físico, era outro freqüentador assíduo daquele botequim. Era um desses sujeitos também calejados pela vida, desses que passaram a vida sendo estigmatizados por apresentar deficiência, no caso dele, nas pernas, as quais eram tortas e dificultavam seu caminhar. Waltinho aportava toda noite naquele bar na intenção de beber e pegar qualquer mulher, independente do peso, idade ou aparência, a tática era sempre a de pagar algumas bebidas a alguma criatura que estivesse suscetível, ou seja, dura e na sede por alguns goles. Nessa noite, sem outra opção, Waltinho sentou-se no balcão, ao lado da mulher-maracujá. Entabulou conversa. A mulher-maracujá, naquela noite, estava mais deprimida do que o seu normal e com um ar fadigado, após cinco minutos de diálogo, foi logo ao assunto: “chupo você lá fora se me pagar uma garrafa de conhaque presidente”. Ele pediu a garrafa e a viu bebê-la por completo, a cada talagada ela fazia uma careta, torcia o nariz e mostrava os dentes estragados. Após o último gole, quando ambos já eram os últimos clientes e a porta do bar já estava abaixada, saíram a procura de algum canto escuro. Alguns metros dali, a velha parou, agachou-se, desabotoou o zíper da calça de Waltinho e começou a chupar seu pau ainda mole. Segurando o pau de Waltinho, que ainda estava longe de uma ereção, ela gargalhou e disse: “sabe, você não desce nem com conhaque presidente”. E continuou a gargalhar. Waltinho, então, desferiu um tapa na cara da velha, que caiu deitada sobre o chão, porém ela, que continuava gargalhando, pôs-se de pé e novamente disparou, “nem com conhaque presidente, seu aleijado”, cuspindo e gargalhando ainda mais, até que Waltinho, reuniu todas suas forças e desferiu outro tapa na cara da velha, que desta vez desmaiou, talvez mais devido ao seu estado de embriaguez que propriamente pelo tapa, caindo sobre o chão, parte do corpo sobre a calçada, parte sobre o asfalto da via. Parecia morta. Waltinho fechou a braguilha e saiu caminhando vagarosamente até desaparecer na escuridão. Exatamente na noite seguinte, ambos estavam novamente no mesmo balcão, diante de seus copos, mergulhados em seus próprios mundos, como se nada houvesse acontecido na noite anterior, como se suas vidas recomeçassem a cada noite, ou seja, com Waltinho procurando por alguma baranga suscetível de trocar seus préstimos por uns goles de bebida barata, bem como pela mulher-maracujá, esta que enquanto embriagava-se aguardava pelo eventual aparecimento de algum bebum que quisesse comê-la ou, ainda, por qualquer meio-conhecida que se submetesse a emprestar seus ouvidos e ouvir a velha despejar um caminhão de lamentações até o encerrar-se de mais uma noite com o rosto apoiado na privada ou o com o corpo prostrado na sarjeta. Essa é a mulher-maracujá, ou “era”, talvez.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Nome estranho.
Como você trataria teu pai, se ele colocasse teu nome de Bocepaulo?
Como você sentiria se teu nome fosse Bocepaulo?
Não restam dúvidas que fui sacaneado, por um pai com conivência da mãe, brincando de fazer trocadilhos nada engraçados com o nome do filho.
Quando era criança, quando todos me chamavam pelo nome seguido de gargalhadas histéricas, nunca compreendia o motivo. No começo você acha engraçado, depois estranha, para atingir um momento que não tem graça nenhuma. Graça nenhuma foi o dia em que descobri o porquê das risadas.
Seria mesmo a junção de boceta e pau? Ou bocejo mais Paulo? Ou pior ainda, boçal mais Paulo. Isso pouco importa diante de todos os impropérios que você é obrigado a tolerar por ter um nome estranho.
Se não bastassem as risadas, as piadinhas como te chamarem de “bocê” em tom satírico. Você é obrigado a andar com a carteira de identidade até para mijar. Ninguém nunca acredita no teu nome, quando provado, a pessoa sem graça solta uma risadinha, fica vermelho e pede desculpas.
Listas escolares, nomes em lista de espera, fichas em médicos e dentistas, em qualquer lugar onde tenha meu nome, torna-se uma lenda ou um motivo de mais gracejos por quem lê, ou diz: “Bocepaulo pode entrar” ou “Bocepaulo favor se apresentar na recepção”.
Você se torna uma lenda não porque tentou ser Madre Teresa de Calcutá, explodiu um banco ou tentou estuprar sua avó e sim porque os dois dementes que te puseram no mundo no mínimo estavam bêbados na hora de registrar o rebento.
Depois de tanto tempo vem à reclusão, depois da reclusão depressão, tudo isso fruto da insanidade de um casal junto com o escárnio do mundo vivido todos os dias.
Na década de noventa, o governo fez uma campanha contra AIDS. Na campanha o governo associou o nome Bráulio ao falo, neste exato momento todos os Braúlios do país tornaram-se automaticamente caras de pau. Seria isso uma obra geniosa de algum publicitário acreditando ser criativo?
O mau humor é inerente quando você é sempre o motivo da piada, teu nome próprio gera raiva e desamor com tudo e todos.
Mal cabe dizer que namoradas tornam-se um sonho utópico sem sentido, então a solução é partir para a justiça com as próprias mãos, o que te torna um punheteiro consumidor voraz de revistas de mulher pelada, feio com um nome pior ainda.
Aproximadamente seis bilhões de pessoas no mundo, e apenas um Bocepaulo, automaticamente um espécime raro entre os hominídeos pela simples combinação de palavras.
Numa cidade como esta talvez tudo isso nem seja grande coisa, cidades pequenas estão recheadas de histórias assim. Filhos débeis mentais cagados e sujos vagando por ruas de terra, maridos transando com a esposa do vizinho, pais tentando estuprar filhas, casadas tornando-se prostitutas, traição aos montes, esquizofrênicos tomando porrada de pastores acreditando estarem trabalhando em nome de Deus. Padres dentro de botecos sonhando em currar velhinhas fofoqueiras.
Tudo isso passando num tempo desacelerado, amargo e tedioso. As coisas demoram pra acontecer, e assim foi pra chegar o meu grande dia. O dia em que a papelada chegou e agora poderei mudar meu nome. Nem acredito.
De agora em diante nunca mais me chamarão de Bocepaulo, nunca mais piadas, uma vida cheia de oportunidades, escolhas, amor e carinho. Bocepaulo será apenas uma piada de mau gosto, uma brincadeira durada dezoito anos em minha vida. Um passado esquecido como todos nós um dia tivemos. Hoje é o fim dos gracejos. O começo de uma vida normal.
Em frente ao cartório, meu corpo vibra, o sol está estridente, nuvens azuis acompanham tudo. Então ontem me lembrei que ainda não tinha pensado no meu nome novo. Um nome agradável à chave para esta vida nova. A partir de agora me chamarei Rolando Nagina.
Serei feliz.
Como você sentiria se teu nome fosse Bocepaulo?
Não restam dúvidas que fui sacaneado, por um pai com conivência da mãe, brincando de fazer trocadilhos nada engraçados com o nome do filho.
Quando era criança, quando todos me chamavam pelo nome seguido de gargalhadas histéricas, nunca compreendia o motivo. No começo você acha engraçado, depois estranha, para atingir um momento que não tem graça nenhuma. Graça nenhuma foi o dia em que descobri o porquê das risadas.
Seria mesmo a junção de boceta e pau? Ou bocejo mais Paulo? Ou pior ainda, boçal mais Paulo. Isso pouco importa diante de todos os impropérios que você é obrigado a tolerar por ter um nome estranho.
Se não bastassem as risadas, as piadinhas como te chamarem de “bocê” em tom satírico. Você é obrigado a andar com a carteira de identidade até para mijar. Ninguém nunca acredita no teu nome, quando provado, a pessoa sem graça solta uma risadinha, fica vermelho e pede desculpas.
Listas escolares, nomes em lista de espera, fichas em médicos e dentistas, em qualquer lugar onde tenha meu nome, torna-se uma lenda ou um motivo de mais gracejos por quem lê, ou diz: “Bocepaulo pode entrar” ou “Bocepaulo favor se apresentar na recepção”.
Você se torna uma lenda não porque tentou ser Madre Teresa de Calcutá, explodiu um banco ou tentou estuprar sua avó e sim porque os dois dementes que te puseram no mundo no mínimo estavam bêbados na hora de registrar o rebento.
Depois de tanto tempo vem à reclusão, depois da reclusão depressão, tudo isso fruto da insanidade de um casal junto com o escárnio do mundo vivido todos os dias.
Na década de noventa, o governo fez uma campanha contra AIDS. Na campanha o governo associou o nome Bráulio ao falo, neste exato momento todos os Braúlios do país tornaram-se automaticamente caras de pau. Seria isso uma obra geniosa de algum publicitário acreditando ser criativo?
O mau humor é inerente quando você é sempre o motivo da piada, teu nome próprio gera raiva e desamor com tudo e todos.
Mal cabe dizer que namoradas tornam-se um sonho utópico sem sentido, então a solução é partir para a justiça com as próprias mãos, o que te torna um punheteiro consumidor voraz de revistas de mulher pelada, feio com um nome pior ainda.
Aproximadamente seis bilhões de pessoas no mundo, e apenas um Bocepaulo, automaticamente um espécime raro entre os hominídeos pela simples combinação de palavras.
Numa cidade como esta talvez tudo isso nem seja grande coisa, cidades pequenas estão recheadas de histórias assim. Filhos débeis mentais cagados e sujos vagando por ruas de terra, maridos transando com a esposa do vizinho, pais tentando estuprar filhas, casadas tornando-se prostitutas, traição aos montes, esquizofrênicos tomando porrada de pastores acreditando estarem trabalhando em nome de Deus. Padres dentro de botecos sonhando em currar velhinhas fofoqueiras.
Tudo isso passando num tempo desacelerado, amargo e tedioso. As coisas demoram pra acontecer, e assim foi pra chegar o meu grande dia. O dia em que a papelada chegou e agora poderei mudar meu nome. Nem acredito.
De agora em diante nunca mais me chamarão de Bocepaulo, nunca mais piadas, uma vida cheia de oportunidades, escolhas, amor e carinho. Bocepaulo será apenas uma piada de mau gosto, uma brincadeira durada dezoito anos em minha vida. Um passado esquecido como todos nós um dia tivemos. Hoje é o fim dos gracejos. O começo de uma vida normal.
Em frente ao cartório, meu corpo vibra, o sol está estridente, nuvens azuis acompanham tudo. Então ontem me lembrei que ainda não tinha pensado no meu nome novo. Um nome agradável à chave para esta vida nova. A partir de agora me chamarei Rolando Nagina.
Serei feliz.
sábado, 19 de setembro de 2009
Voltei.
Depois de ressacas interminavéis, depois de noites mal dormidas, voltei para não sei fazer oque, um dia eu descubro ou não descubra nunca. Preciso escrever e vou te mostrar.
Em breve um conto novo.
Em breve um conto novo.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Cinema ou o dia em que nunca mais fiz sexo.
Isso aconteceu depois de ter distribuído chapéus vikings para metade dos homens casados da cidade, depois ter passado uma longa data namorando, fingindo estar contente, após passar quase um ano não lendo nada, só assistindo todas as porcarias inúteis que constituem tua vida.
Morar em prédios só não é pior do que morar na rua, apesar de você ter mais liberdade dormindo na sarjeta do que morar nestas porcarias sem privacidade nenhuma.
Diariamente somos tratados como estranhos por porteiros, se chegamos de madrugada “em nossos” apartamentos, somos obrigados a esperar sermos identificados. Nossas janelas sempre com cortinas, nos escondendo de olhares bisbilhoteiros do prédio ao lado. Nunca podemos tocar o foda-se, pois multas absurdas nos acusando de: “barulhos em horários impróprios”, ou olhares inquisitórios de todos quando do seu apartamento “sai um cheiro estranho”.
Quanto mais apartamentos tiverem, mais a sensação de não estar em casa aumenta, só morando em prédio, você tem dez privadas cagando no teto da sua casa diariamente não incomoda.
Vizinhos enxeridos, barulhos noturnos, gemidos altos enquanto você tenta dormir, silêncio em elevadores, sorrisos falsos quando cruzamos uma pessoa que mora atrás da parede que atravessa teu quarto, teu teto, tua cozinha.
Esta é a história do depois, do dia em que comecei morar num apartamento, uma história que você pode usar como pretexto para ser infeliz para sempre.
São três da tarde, o dia nublado ameaça minha vida cair num tédio extremo, encontro seis reais na mesa. Com seis reais não dá para fazer muita coisa, você pode comprar seis latas de cerveja e ainda sobrar uns trocados, mas seis latas de cerveja são a mesma coisa que tomar uma lata de cerveja, você não fica bêbado e só aumenta a vontade de beber.
Poderia comprar comida, mas comida não traz diversão então desencano e ligo a televisão.
Ele me dizia o tempo todo que me amava, as promessas só eram cumpridas naquela fase de conquista, sabe? Depois ele não liga mais, aí você começa a ligar no celular dele, mas ele não atende então você continua tentando, depois da trigésima tentativa, ele atende e inventa uma desculpa que nem uma criança acredita.
Daí num dia qualquer, a pessoa que te prometeu amar o resto dos dias diz: “Cansei”.
Um mês depois você começa a sentir falta do seu ex-namorado, você não se acostuma, acredita que nunca vai se acostumar, você tenta esquecer esta pessoa lembrando todas as mentiras que ele te contou durante o tempo que passaram juntos, mas isso não basta então você começa a sair todos os dias, beber muito, mas isso também não basta.
Então tudo perde a graça, você sente-se vazia, continua sofrendo, torna-se insone, come mal, emagrece, pega uma arma e mata a pessoa que um dia você disse: “eu te amo”.
Desligo a televisão, estas histórias tristes não me comovem mais, na verdade todas estas histórias de amor e desilusão deveriam ser tratadas com irresistíveis tapas na cara de quem conta. Uma pessoa que assistiu muito drama na vida não deve ser de confiança.
O que me interessa são histórias que não fazem dormir, todos nós o tempo todo estamos implorando por histórias que nos salvem de nossas vidas medíocres.
Mas o pior é que isso não acontece nunca, estamos fadados a dedicar anos a seguir direções erradas.
Pego os seis reais da mesa e me mando para rua, em menos de quatro quadras encontro um cinema pornô. Eu nunca tinha ido ao um cinema pornô e a placa avisava “Assista três filmes por cinco reais”. Não hesitei e fui logo entrando, comprei o bilhete, sobrou um real, imaginei que com um real você comprava um saco de pipoca, pois o cinema não era nenhum Cinemax ou merda parecida, mas não vendiam comida.
Não vendiam balas, não vendiam refrigerantes, só vendiam camisinhas.
Achei estranho, porém logo pensei ser uma prática politicamente correta dos cinemas pornôs, ou seja, bata punheta com responsabilidade, use camisinha.
Apesar de usar camisinha para se masturbar é tão sem sentido como agir politicamente correto.
Adentro da sala que ocorreria a exibição procuro um lugar no fundo, um lugar onde eu possa observar todos. O lugar era horrível, cadeiras fedendo a naftalina, entupido de bichas, e as únicas mulheres que estavam no recinto eram três tiazinhas que antes de começar o filme ficavam berrando: “boquetí a três real”. Uma destas três putas me aborda perguntando se quero uma chupetinha descontraída, nego com a cabeça ela diz: “faço pela metade do preço”, reitero a negativa então ela sai abanando o rabo revoltada. Mesmo que esta porca do caralho quisesse me chupar de graça eu não aceitaria, você nota claramente quando está escrito AIDS na testa de alguém.
As luzes são apagadas, o cinema esta cheio de bichas, punheteiros carentes, três putas e eu.
Em menos de dez minutos de filme, algumas pessoas começam a mudar de lugares, então um rapaz senta ao meu lado e pergunta: “posso chupar?”, eu respondo que não, então ele sai e senta-se ao lado de um grupo de homens sentados na fileira H, sua cabeça desaparece no meio das pernas de alguém.
Antes de o primeiro filme atingir a metade, várias cabeças no cinema desapareceram então barulhos e gemidos são ouvidos. Conversas como: “chupa seu filho de uma puta” ou “vai pai, chupa o caralho do seu filho” vão cobrindo o som do filme.
Aquilo certamente não era um cinema, não era um prostíbulo, era um verdadeiro lar da putaria pederasta, passando filmes heterossexuais para galgarem babacas como eu.
No segundo filme, consigo ver praticamente doenças sexuais transmissíveis proliferando nos assentos da fileira F. É neste exato momento que paro de pensar, não quero imaginar daqui para frente, em minha mente, consigo ver um gordo tomando
Ice Tea ejaculando três fileiras à sua frente.
Não é isso que acontece.
Bem na frente onde as cadeiras de cinema terminam, bem perto da tela, começa uma suruba, um senhor de terno arria as calças enquanto um negro com uma piroca enorme se masturba. Assisto aquilo tudo horrorizado tentando subtrair minha existência daquele lugar.
Porém a sacanagem continua.
O negro da piroca enorme enterra seu caralho inteiro de uma vez só na bunda peluda e magra do cara de terno, então escuto urros. O cara de terno em cada estocada grita alto: “CAPITALISMO”.
Eu sempre desconfiei dos sacanas, pessoas desconfiadas, olhares maliciosos, enganadores e picaretas. Todas estas pessoas querem apanhar, adoram ver seus rabos arrombados por caralhos hirtos, sente-se satisfeitas em sentir dor, em apanhar com cabos de vassoura.
Pessoas que sorriem quando entramos em lojas. Pedem inconscientemente: “Arrebente-me agora mesmo, cansei desta vida falsa.”.
Depois deste dia, fiquei tão traumatizado com sexo que meu inconsciente nunca mais sentiu tesão por nada. Toda vez que gosto de uma menina, eu lembro da possibilidade de fazer sexo, eu fujo.
Não sei se meu caralho vai atrofiar, mas atualmente ele só cumpre uma função, a de mijar.
Atualmente só tenho uma missão na vida, conseguir aprovar um projeto de lei que defenda o direito dos assexuados. Minha vida é este projeto, nada mais.
Morar em prédios só não é pior do que morar na rua, apesar de você ter mais liberdade dormindo na sarjeta do que morar nestas porcarias sem privacidade nenhuma.
Diariamente somos tratados como estranhos por porteiros, se chegamos de madrugada “em nossos” apartamentos, somos obrigados a esperar sermos identificados. Nossas janelas sempre com cortinas, nos escondendo de olhares bisbilhoteiros do prédio ao lado. Nunca podemos tocar o foda-se, pois multas absurdas nos acusando de: “barulhos em horários impróprios”, ou olhares inquisitórios de todos quando do seu apartamento “sai um cheiro estranho”.
Quanto mais apartamentos tiverem, mais a sensação de não estar em casa aumenta, só morando em prédio, você tem dez privadas cagando no teto da sua casa diariamente não incomoda.
Vizinhos enxeridos, barulhos noturnos, gemidos altos enquanto você tenta dormir, silêncio em elevadores, sorrisos falsos quando cruzamos uma pessoa que mora atrás da parede que atravessa teu quarto, teu teto, tua cozinha.
Esta é a história do depois, do dia em que comecei morar num apartamento, uma história que você pode usar como pretexto para ser infeliz para sempre.
São três da tarde, o dia nublado ameaça minha vida cair num tédio extremo, encontro seis reais na mesa. Com seis reais não dá para fazer muita coisa, você pode comprar seis latas de cerveja e ainda sobrar uns trocados, mas seis latas de cerveja são a mesma coisa que tomar uma lata de cerveja, você não fica bêbado e só aumenta a vontade de beber.
Poderia comprar comida, mas comida não traz diversão então desencano e ligo a televisão.
Ele me dizia o tempo todo que me amava, as promessas só eram cumpridas naquela fase de conquista, sabe? Depois ele não liga mais, aí você começa a ligar no celular dele, mas ele não atende então você continua tentando, depois da trigésima tentativa, ele atende e inventa uma desculpa que nem uma criança acredita.
Daí num dia qualquer, a pessoa que te prometeu amar o resto dos dias diz: “Cansei”.
Um mês depois você começa a sentir falta do seu ex-namorado, você não se acostuma, acredita que nunca vai se acostumar, você tenta esquecer esta pessoa lembrando todas as mentiras que ele te contou durante o tempo que passaram juntos, mas isso não basta então você começa a sair todos os dias, beber muito, mas isso também não basta.
Então tudo perde a graça, você sente-se vazia, continua sofrendo, torna-se insone, come mal, emagrece, pega uma arma e mata a pessoa que um dia você disse: “eu te amo”.
Desligo a televisão, estas histórias tristes não me comovem mais, na verdade todas estas histórias de amor e desilusão deveriam ser tratadas com irresistíveis tapas na cara de quem conta. Uma pessoa que assistiu muito drama na vida não deve ser de confiança.
O que me interessa são histórias que não fazem dormir, todos nós o tempo todo estamos implorando por histórias que nos salvem de nossas vidas medíocres.
Mas o pior é que isso não acontece nunca, estamos fadados a dedicar anos a seguir direções erradas.
Pego os seis reais da mesa e me mando para rua, em menos de quatro quadras encontro um cinema pornô. Eu nunca tinha ido ao um cinema pornô e a placa avisava “Assista três filmes por cinco reais”. Não hesitei e fui logo entrando, comprei o bilhete, sobrou um real, imaginei que com um real você comprava um saco de pipoca, pois o cinema não era nenhum Cinemax ou merda parecida, mas não vendiam comida.
Não vendiam balas, não vendiam refrigerantes, só vendiam camisinhas.
Achei estranho, porém logo pensei ser uma prática politicamente correta dos cinemas pornôs, ou seja, bata punheta com responsabilidade, use camisinha.
Apesar de usar camisinha para se masturbar é tão sem sentido como agir politicamente correto.
Adentro da sala que ocorreria a exibição procuro um lugar no fundo, um lugar onde eu possa observar todos. O lugar era horrível, cadeiras fedendo a naftalina, entupido de bichas, e as únicas mulheres que estavam no recinto eram três tiazinhas que antes de começar o filme ficavam berrando: “boquetí a três real”. Uma destas três putas me aborda perguntando se quero uma chupetinha descontraída, nego com a cabeça ela diz: “faço pela metade do preço”, reitero a negativa então ela sai abanando o rabo revoltada. Mesmo que esta porca do caralho quisesse me chupar de graça eu não aceitaria, você nota claramente quando está escrito AIDS na testa de alguém.
As luzes são apagadas, o cinema esta cheio de bichas, punheteiros carentes, três putas e eu.
Em menos de dez minutos de filme, algumas pessoas começam a mudar de lugares, então um rapaz senta ao meu lado e pergunta: “posso chupar?”, eu respondo que não, então ele sai e senta-se ao lado de um grupo de homens sentados na fileira H, sua cabeça desaparece no meio das pernas de alguém.
Antes de o primeiro filme atingir a metade, várias cabeças no cinema desapareceram então barulhos e gemidos são ouvidos. Conversas como: “chupa seu filho de uma puta” ou “vai pai, chupa o caralho do seu filho” vão cobrindo o som do filme.
Aquilo certamente não era um cinema, não era um prostíbulo, era um verdadeiro lar da putaria pederasta, passando filmes heterossexuais para galgarem babacas como eu.
No segundo filme, consigo ver praticamente doenças sexuais transmissíveis proliferando nos assentos da fileira F. É neste exato momento que paro de pensar, não quero imaginar daqui para frente, em minha mente, consigo ver um gordo tomando
Ice Tea ejaculando três fileiras à sua frente.
Não é isso que acontece.
Bem na frente onde as cadeiras de cinema terminam, bem perto da tela, começa uma suruba, um senhor de terno arria as calças enquanto um negro com uma piroca enorme se masturba. Assisto aquilo tudo horrorizado tentando subtrair minha existência daquele lugar.
Porém a sacanagem continua.
O negro da piroca enorme enterra seu caralho inteiro de uma vez só na bunda peluda e magra do cara de terno, então escuto urros. O cara de terno em cada estocada grita alto: “CAPITALISMO”.
Eu sempre desconfiei dos sacanas, pessoas desconfiadas, olhares maliciosos, enganadores e picaretas. Todas estas pessoas querem apanhar, adoram ver seus rabos arrombados por caralhos hirtos, sente-se satisfeitas em sentir dor, em apanhar com cabos de vassoura.
Pessoas que sorriem quando entramos em lojas. Pedem inconscientemente: “Arrebente-me agora mesmo, cansei desta vida falsa.”.
Depois deste dia, fiquei tão traumatizado com sexo que meu inconsciente nunca mais sentiu tesão por nada. Toda vez que gosto de uma menina, eu lembro da possibilidade de fazer sexo, eu fujo.
Não sei se meu caralho vai atrofiar, mas atualmente ele só cumpre uma função, a de mijar.
Atualmente só tenho uma missão na vida, conseguir aprovar um projeto de lei que defenda o direito dos assexuados. Minha vida é este projeto, nada mais.
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